segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ganha quem falar mais e mais alto!





Há algum tempo atrás, estava eu de bobeira no Facebook quando me deparei com uma acalourada dicussão entre dois colegas ciclistas sobre seu desempenho na bicicleta. O debate, como não poderia deixar de ser, era estúpido, curto e sem significado nenhum.

A história é a seguinte: o autor do post (o qual faz parte de uma assessoria e do passeio noturno C...) informa ao mundo virtual que está machucado (aparentemente seu estado de saúde é tão relevante que é necessário que os 300 amigos dele saibam disso). Um de seus amigos (presumo eu que seja amigo...) responde dizendo (trolling, actually): "Se aposenta..." Aí o outro lá ficou mordido com o comentário e disse que nunca faria isso do jeito que ele fez, insinuando, obviamente que o troller havia se aposentado (entenda-se parado de pedalar).

As bobagens não estavam suficientes ainda, então o agora ofendido troller responde: "Rs. Pergunta pra turma do J.... Enquanto isso vai botando um gelinho". A turma do J... é um passeio ciclístico aqui da cidade e ele quis dizer que está pedalando muito bem e, se o fulano autor do post por lá perguntasse alguma coisa sobre ele, seria isso que ele ouviria.

O autor do post se ofendeu mais ainda e disse que tinha vergonha do passeio do J..., que era indicado pra iniciantes e desafiou o troller a aparecer no passeio do C... pra ver se aguentava. O troller, agora, a meu ver, realmente irritado, vem e responde dizendo pro autor do post aparecer no passeio do J..., pra andar no pelotão da frente com eles! A intenção clara era de desafiá-lo, de provocar um embate direto.

Aí, pra finalizar com chave de merda, o autor do post responde dizendo que já conhecia o passeio do J... e que o troller deveria perguntar por lá quem tinha o treino mais puxado: C... ou J.... A intenção aqui é óbvia e não vou ficar explicando.

Deu pra pegar a idéia do que aconteceu? O autor do post se ofendeu com os comentários do troller porque eles insinuavam que ele não é um bom ciclista. O autor do post responde na mesma moeda e seus comentários insinuam que ele, o troller, é que não é tão bom ciclista. O conflito se instala e ambos tentam convencer um ao outro (ou a si mesmos) que são bons ciclistas! E tentam fazer isso através de um bate-boca! Dá pra acreditar?

No fim das contas, nenhum dos dois estava preocupado em ser um bom ciclista. Não!! De forma alguma!! Desde que eles convençam ao mundo (no grito) que são super atletas, está bom demais!! E mais, quer saber? Nenhum dos dois é bom o suficiente para se dar o trabalho de perder tempo numa discussão como essa. E se fossem, não estariam discutindo.

Vergonhoso.

Essa história é antiga, mas estava aqui pendente nas postagens e decidi colocar. Serve de lembrete negativo para aqueles que deixam certos extremos do ego sobressairem e tomarem conta de si próprios. Qual o lembrete? Não façam isso!! Pelo amor de Deus! Vão treinar que é melhor!

É isso.
Falou.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

E a fluidez finalmente apareceu...





Mais um capítulo na história de aprendizado de La Démarche. Hoje pela manhã, como de costume, sentei ao piano para praticar alguma coisa e sempre termino tocando essa música ou alguma parte dela...

Dessa vez, no entanto, me concentrei apenas na sua velocidade. Quando toco essa música num ritmo superior ao que me acostumei, próximo do original, observo três problemas: muita força nos dedos, pulso muito rigido e antebraço cansando logo.

Hoje pela manhã, no entanto, o volume do meu piano, que é digital, estava um pouco mais alto do que o normal. Quando comecei a tocar, iniciei bem suave (forçando menos o bater em cada tecla) e percebi que não precisava fazer tanta força para que o som ficasse claramente audível. No mesmo momento, me dei conta de que a flutuação das mãos sobre as teclas ficaria mais fácil se eu pudesse sempre utilizar essa suavidade e que, dessa forma, tocar essa música mais rápido seria menos cansativo.

Juntei as duas coisas e decidi tentar tocá-la na velocidade que tem que ser. Para minha surpresa, deu certo! Deu tão certo que a forma de tocar automaticamente mudou e, pela primeira vez, me ouvi tocando de forma muito parecida (muito mesmo!) ao jeito que ela é interpretada por seu autor. As acentuações que mencionei no post anterior, a própria velocidade, a sensação de fluidez que sempre senti quando ouvia a música, tudo estava lá, saindo das minhas mãos. Essa fluidez me deixou extasiado, pois, pra mim, é a característica mais relevante dessa música e, até o presente momento, sempre me senti tocando-a de forma muito seca. Não fica feio, mas não é como deveria ser...

Pequeno ponto de mutação, mas muito importante. Pequeno porque consegui em poucas oportunidades tocar  assim tão igual. Foi mais um momento de experimentação e escolhi trechos específicos da música para as tentativas. E como não estou habituado a esse "jeito" novo, ainda me confundi um pouco. Mas o que  é relevante é que cheguei no ponto em que identifiquei o que acontece na música, na prática, ou seja, o que o  Yann Tiersen fez para extrair o som que escuto.

Ainda não está igual, mas ficou bem próximo. A partir daqui, posso começar a pensar no próximo passo, que é o refinamento da música. Aliás, mais ou menos, não posso esquecer que ainda tenho que tocá-la por inteiro sem parar... e sem erros...

Bom, é isso.
Falou.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Comptine d'un autre été - La démarche




Essa música foi composta por Yann Tiersen e faz parte da trilha sonora do filme "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain" (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain). Já mencionei isso por aqui. Segue o vídeo com a primeira e segunda partes completas.



video



Aprendi a tocá-la por inteiro. A última parte, a que vem logo após o momento em que paro de tocar nesse vídeo, ainda se apresenta, no entanto, um pouco difícil de ser encaixada e por isso não fui até o final. A música, como um todo, é um pouco complexa, pois mexe, no início e no final, com as mesmas notas, apenas variando a sequência em que são tocadas e o modo como são acentuadas. Até me habituar com essas variações (que confundem um pouco), não será possível tocar a música inteira sem parar...

Para se ter uma idéia, toda vez que treino a última parte, volto forçosamente a tocar a primeira unicamente para não perder a memória muscular desta, o modus operandi de como ela deve ser tocada... É engraçado fazer isso, porque a mente sabe o que tem que fazer - tocar a primeira parte, mas as mãos teimam um pouquinho e querem tocar a última parte...

La Démarche está aos poucos deixando de ser um "impossível"... E isso é indescritivelmente bom... Muita coisa ainda tem que ser feita para que fique perfeita ou para que se aproxime mais da versão original. Em especial, três: tocá-la por inteiro, sem erros de notas ou paradas; tocá-la na velocidade certa; acentuar as notas de forma correta...

A acentuação, inclusive, é mais importante do que eu imaginava. Essa música, quando tocada (assim como qualquer outra), expressa uma intenção. Essa intenção é uma espécie de caminho através do qual seu autor leva aquele que a escuta através das emoções que ele quer passar ou que ele sentiu quando a compôs. A manifestação dessa intenção acontece no modo como a música é tocada e, como consequência óbvia, através da forma como cada nota é tocada (desde seu tempo de duração até a força com que se bate na tecla correspondente).

É isso. Muito trabalho ainda, mas está valendo a pena. "La démarche", como disse outro dia pra uma amiga, é deliciosamente difícil de se aprender. Talvez por isso seja tão fascinante... Não sei... Só sei que é divertido!

Falou.