terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Eternamente um aprendiz...





Então... No dia 14 de dezembro de 2012, tivemos uma última reunião na Arte e Movimento antes do festival do dia 15. Estávamos todos sentados no chão em círculo e nosso professor começou a proferir algumas palavras a respeito de nós, alunos. Boas palavras, inclusive, todas, declarada e unicamente, elogios. Ele mesmo disse que ali não era o momento de críticas, mas sim de elogios. Sábia decisão e uma pequena lição de vida para este que, mais do que nunca, se vê apto e ávido por aprender cada vez mais sobre a vida.
 
Falando a respeito deste que vos escreve, apreendi do gentil discurso do meu Professor três qualidades que me chamaram a atenção. Duas delas já conhecia, não por achar que as detenho, mas porque muito já me falaram delas e meio que as aceitei (de muito bom grado e com um certo orgulho, admito) por maioria de votos. Essas duas são charme e elegância. Não vou tecer comentários a respeito disso, porque ainda não vejo muito onde as pessoas enxergam isso em mim. O charme, esse não sei mesmo. A elegância, desconfio que venha da postura (procuro andar sempre com a coluna ereta e tal) e talvez da terceira qualidade que nunca imaginei que teria ou que, um dia, conseguiria adquiri-la.
 
Essa terceira qualidade não me parece descritível em uma palavra apenas. O que ouvi sobre ela é que eu, aparentemente, sei o momento de intervir, de falar, de ouvir, de perguntar etc...

As pessoas não fazem idéia de como foi valoroso ouvir isso.
 
Passei a vida inteira, da infância à adolescência, sendo tratado como uma pessoa desajeitada e inconveniente, como alguém desprovido da medida certa das coisas. De alguma forma, era engraçado ouvir isso porque sempre fui uma criatura reservada, calada e discreta. Lembro que sempre fazia de tudo para passar despercebido onde quer que fosse. Obviamente, esse estigma só aumentava ainda mais a discrição daquele ser em formação, o que me fazia ficar cada vez mais fechado no meu mundinho. Não sei se comecei minha existência como alguém quieto e discreto ou se esse "defeito" que me atribuíam deu início a tudo. Ou ainda se tudo aconteceu ao mesmo tempo. Como nunca saberei, encerro aqui esse raciocínio.
 
O fato é que, segundo meu professor, aparentemente não sou mais essa pessoa inconveniente. Não, senhor! Aparentemente tenho a medida certa das coisas... ou de algumas delas. Longe de ser algo para envaidecer meu ego, essa qualidade, se realmente existir, é fruto de uma vida inteira de observação, de erros graves gravemente cometidos, de uma culpa gigantesca carregada por muito tempo nas costas e da presença constante de um herói discreto a meu lado.
 
Observar sempre foi um prazer para mim e quase a única coisa a se fazer no meu dia-a-dia, uma vez que, quando se quer passar despercebido, falar não é muito uma opção. Erros já os cometi aos montes e não vou me ater a nenhum por aqui, mas alguns deles, realmente, decorreram de uma frase ou palavra mal colocada. Culpa é um troço que me acompanhou por muito tempo e aumentou bastante a gravidade dos meus erros, fazendo com que eu pensasse mais do que o necessário sobre eles (isso se mostrou útil mais tarde, mas essa é outra história....).
 
O herói discreto não poderia ser outro, senão meu pai. Ele ocupa esse cargo desde que eu era criancinha, época em que o acompanhava ao pátio do meu prédio para construir, consertar ou fazer manutenção de alguma coisa.
 
Se eu for falar sobre meu pai, esse post vira um livro e essa não é a intenção. O que vale dizer é que, quando me livrei de grande parte dos véus que me cegavam a segunda perspectiva das coisas, comecei a reparar numa característica sua, a qual nunca havia dado a devida atenção. Não lembro agora se foi Nana ou Lèt (com o acento ao contrário mesmo), ambas ex-namoradas, que me disse certo dia que gostava muito do meu pai, porque ele sabia ser sociável. E eu: "hein? Meu pai? Tem certeza?"... O tom de surpresa decorre unicamente da lembrança imediata de minha mãe reclamando com ele, afirmando que era muito indiscreto, inconveniente... Opa! Onde será que eu escrevi isso antes? Então...
 
Essa observação feita por uma delas ficou guardada na memória até o momento em que minha alma estava preparada para ver. E esse "ver" é um verbo intransitivo mesmo. Vi e fiquei muito feliz e orgulhoso. Percebi, ainda, que em mim havia potencial para algo semelhante, potencial guardado naquele mesmo menino tímido e calado. Desde então tento progredir com essa qualidade. É um caminho árduo, mas é bom andar por ele, pois os frutos colhidos ao longo do percurso são duradouros (frutos colhidos na Arte e Movimento, por exemplo).... E nele continuo indefinidamente.

E esse post é para agradecer a meu pai por ter me ensinado a arte de ser gentil sem precisar dizer uma palavra a respeito disso.

E pensei nesse post porque estou em Itabuna, Bahia.

E essa última frase só faz sentido para mim mesmo.
 
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Floripa!





Não bati nenhuma foto, até porque não tive tempo, mas minha memória supre suficientemente minha necessidade de relembrar um lugar tão peculiar.

Quando visitei o Rio de Janeiro, fiquei admirado com a mescla de paisagens naturais e urbanas que ocupam a cidade. Mas não passou disso: admiração. A tão falada Cidade Maravilhosa não me provocou nenhuma faísca de deslumbramento ou algo assim. Talvez eu estivesse com expectativas altas demais, enfim...

Florianópolis, por outro lado, me encantou e despertou em mim a vontade de retornar para passar uns 10 dias ou mais. A cidade possui a mesma mescla de paisagens naturais e urbanas que se encontra no Rio, mas sem a exuberância de um Corcovado, por exemplo. O que quero dizer é que Floripa foi construída numa região litorânea rodeada por montanhas e isso torna seu visual bem interessante. No mais, a cidade é limpa e bem cuidada. Chamou minha atenção o fato de nenhum muro estar grafitado ou algo assim. Os habitantes, até onde pude perceber, são amigáveis e não muito relutantes em acolher alguém de fora.

Não cheguei a conhecer nenhuma das praias, mas isso não reduziu o valor dessa pequena visita. Provavelmente voltarei e espero que seja muito breve. Até porque Balneário Camboriú não fica muito longe de lá...

É isso. Post pequeno só para marcar a visita.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Do céu ao inferno em 2 segundos


 

 
A mente viaja muito, muito mesmo. Dependendo do estado de espírito vivido, ela te convida (na verdade ela te arrasta...) a viver emoções boas ou ruins. E, nesse trabalhoso exercício mental, nenhuma dessas emoções encontra-se no presente, que é o único momento que realmente existe. Situações passadas ou futuras vêm à tona e colocam a alma antes tranquila num turbilhão de sensações malucas que nos levam a transitar entre o bom e o mau humor em questão de segundos.

De repente, estamos no paraíso, vivendo um sonho de ideal beleza e plenitude, onde tudo é perfeito e nada pode atrapalhar a felicidade que ali está estabelecida. Dois segundos depois, encontramo-nos no inferno, conjecturando acerca do que ainda não aconteceu e como isso pode afetar negativamente os sonhos e desejos tão almejados por nossa alma carente de alegria, sonhos e desejos estes que sequer se sabe se vão acontecer...

Isso para não falar sobre o passado. A gente lembra do que de bom aconteceu e perde a noção do tempo pensando como foi gratificante ter vivido o que quer que seja. Dois segundos depois, estamos envoltos num mar de arrependimento, culpa, vergonha, tristeza, raiva etc, por trazer à memória um arquivo que deveria estar deletado já há algum tempo...

Se tivermos algum juízo na cabeça, alguma hora lembramos que nenhum desses pseudo-momentos realmente existe. O que está no passado passou. O que está no futuro ainda não existe. O que sobra é viver o presente e, nele, cuidar para que esse futuro se torne um presente digno de ser vivido e um passado prazeroso de ser lembrado.

Quem é que não passa por isso? Eu sei que eu passo. Aliás, passei.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viva e deixe Viver





"Não corra atrás das borboletas. Cuide de seu jardim que elas virão até você "


Tipo isso mesmo... Não que correr atrás de algo seja propriamente um mal conselho. É que a melhor forma de se conseguir aquilo que se quer é cuidar da parte que nos cabe, deixando para os outros o que igualmente lhes cabe. Em outras palavras: viva e deixe viver. Melhor coisa que aprendi na vida até agora.

Se cada um fizer sua parte, no fim todos se encontram em torno do objetivo comum, seja ele qual for. Dar conta da vida alheia, preocupar-se demais com terceiros, com o que fazem ou deixam de fazer, interferir nas suas decisões, dentre outras, são condutas que retiram de qualquer caminhada o foco que ela deve ter.

Que foco é esse? Sei lá... Qual a sua caminhada?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nem é prosa nem é poesia...


V ê n u Z

*

Seu brilho é branco e intenso
Intensamente expressivo
Expressivamente sincero
Sinceramente lindo
Lindamente branco

Branco por ser amplo
Amplamente colorido
Colorido com todas as cores
Cada cor com com seu espaço
Cada cor com seu momento

Momentos que com todos são partilhados
Até com aqueles que não enxergam
Tolos cegos incompreensivos
Compreensivamente cegos
Cegueira iluminada por seu brilho

Um brilho branco e intenso
Que não pode ser apagado
Que não pode ser contido
Que não pode ser explicado
Que não deve ser explicado

A explicação limita
Comprime
Define
..
Não   se   pode   limitar   o   que   nasceu   para   ser   ilimitado

Seu      brilho      é       ilimitado
 G  r  a  n  d  e
A  m  p  l  i  a  d  o
 D    i   l   a    t    a   d    o
E    x    p    a    n    d    i    d   o
e
Me encanta
Encanta
Ilumina
Contagia
Guia

Uma linha guia
 Uma estrada
 Um caminho a ser seguido
Seguido e guiado
Para o procurado destino de ser feliz

Poema encomendado. Deus queira que ele tenha melhorado o que ela tem de bom, apesar de eu achar que talvez tenha piorado o que ela tem de ruim. De qualquer forma, essa escolha não é minha.

É isso.

sábado, 3 de novembro de 2012

Felicidade




Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz,
Sentirá o ar sem se mexer,
Sem desejar como antes sempre quis,
Você vai rir... sem perceber,
Felicidade é só questão de ser,
Quando chover... deixar molhar...
Pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz,
Se chorar, chorar é vão,
Porque os dias vão pra nunca mais...

(Refrão 2x)
Melhor viver meu bem,
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você,
Chorar, sorrir também e depois dançar na chuva
Quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar,
Nessa hora fique firme pois tudo isso logo vai passar,
Você vai rir... sem perceber...
Felicidade é só questão de ser,
Quando chover... deixar molhar...
Pra receber o sol quando voltar.

(Refrão)
Melhor viver meu bem,
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você,
Chorar, sorrir também e depois dançar na chuva
Quando a chuva vem.

Melhor viver meu bem,
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você,
Chorar, sorrir também e dançar,
Dançar na chuva quando a chuva vem.
Dançar na chuva quando a chuva vem.
Dançar na chuva quando a chuva,
Dançar na chuva quando a chuva vem.

Marcelo Jeneci

Essa música poderia muito bem se chamar "Carpe Diem". Seu significado, como um todo, inclusive, está contido nessa expressão. Aproveite o dia, o momento, viva o agora, enfim... A mensagem é simples, eficaz e muito, muito pouco compreendida por todo mundo.

Esse "carpe diem" pode ter como fundamento e pressuposto o seguinte verso: "Felicidade é só questão de ser". E o que é necessário para "ser"? Nada. Por incrível que pareça, já passados alguns anos em que penso nessa questão, a melhor resposta que encontrei para tal pergunta foi essa: nada. 

Eu explico...

Todos nós somos. Ponto final. Verbo intransitivo mesmo ou transitivo ao infinito, se assim preferirem.... Nosso ser está diretamente relacionado à nossa essência e esta nos é intrínseca, irremovível e imutável. Em outras palavras: não dá para  mudar o que somos. Lembrei agora que sempre ouvi as pessoas usando essa frase ("não dá para mudar o que somos") para ressaltar aos que erram que eles não seriam capazes de mudar e que errariam de novo... Bullshit... Se você erra e aprende, pronto! Não erra de novo... 

Bom, mas o que quero dizer é que aquilo que nos é essencial, que está arraigado ao nosso ser e que faz de nós o que somos não pode ser mudado. Talvez possamos mudar o modo como expressamos aquilo que somos, mas mudar a essência propriamente dita, isso não dá. O que acontece com nós, seres humanos, é que obscurecemos nosso ser através das infinitas identificações que teimamos em agregar a nós mesmos... 

Todo ser humano é. Ponto final. Essa máxima passa a ser distorcida quando começamos a deixar a mente tomar conta do que somos para nos transformar naquilo que queremos ser. Aliás, transformar não; tentar transformar... Aí a confusão é grande. É por isso que digo que, para sermos, basta que façamos nada, ou seja, basta que deixemos de dar ouvidos e de nos submeter aos caprichos do ego e passemos a escutar mais o que nossa essência nos diz, deixando que ela nos conduza pelo melhor caminho. E não me refiro aqui a caminho certo ou caminho errado. Certo e errado são noções relativas que variam muito de acordo com a situação de vida que se está passando. O melhor para nós, não poucas vezes, é algo que, aos olhos de todos, parece errado e é por isso que rotular nossas atitudes, qualificando-as como certas ou erradas, pode nos retirar exatamente o aprendizado que tanto precisamos.

E qual o melhor caminho? Não se pode saber até que se passe por ele... O caminho só existe quando você passa. Já falei isso aqui em outro post. E é mesmo. E essa decisão só pode ser tomada no único momento que efetivamente existe em nossa realidade: o momento presente.

"Melhor viver meu bem,  pois há um lugar em que o sol brilha pra você,  chorar, sorrir também e depois dançar na chuva, quando a chuva vem." É isso. Viva o momento, decida o que tiver de decidir quando essa hora chegar. Nem antes nem depois. Chore, sorria e dance na chuva, quando a chuva vem... Mas só aí, nem antes nem depois... Chore, sorria e dance apenas "Quando a chuva vem", ou seja, apenas quando tiver de chorar, sorrir ou dançar... Esse é o verso que nos diz para esquecer o passado e o futuro e  nos concentrarmos só no presente. 

A chuva foi ontem? Passou... A chuva vem amanhã? Quem sabe... Está chovendo? Ahhh... Agora sim... E aí? O que fazer? Tomar banho de chuva, dançar na chuva, encolher-se embaixo do lençol, abraçar quem ama para se aquecer, beber a agua que cai do céu, pegar uma folha e fazê-la de barquinho na corrente que passa pela calçada, andar de bicicleta e passar por uma poça d´água, brincar de pega-pega, tomar banho de mar enquanto chove, ficar na janela só admirando, torcer para que ela demore a passar... enfim... As possibilidades são infinitas, mas todas só existem de verdade quando o momento acontece, quando "a chuva" cai.

Vivendo nesse momento, no agora, experienciamos a leveza de simplesmente ser. E é fantástico. É aí que encontramos o lugar em que o sol brilha para nós. É. Esse lugar não é um local onde chegaremos após percorrer uma certa distância física. Não senhor. Esse lugar está dentro de nós e já existe agora. Basta que o encontremos ou simplesmente o deixemos se mostrar. Simples assim. Aliás, mais ou menos simples. Temos de percorrer uma certa distância moral e espiritual para encontrar esse lugar... Isso pode não ser tão simples. Mas a existência desse lugar, isso sim é simples. Está aí para todo mundo ver.

Acho que a letra expressa isso... É uma letra alegre mesmo, uma vez que se compreenda seu significado e seu alcance. O título da música está muito bem aplicado. A fórmula da Felicidade está mais ou menos descrita nos versos. A melodia, por outro lado, denota um sentimento um tanto quanto diferente.


Perguntei à Garota Z, que tem uma percepção musical boa, o que essa música lhe passava, o que a melodia lhe dizia... Ela respondeu que lhe vinha uma sensação de nostalgia. Concordei de imediato. Também é o que a música me passa.

É interessante uma música que fala sobre felicidade transmitir com sua melodia a sensação de nostalgia. Nostalgia não é necessariamente algo ruim. O que entendo por nostalgia é que ela representa uma saudade do que passou, do que ainda não veio ou do que ainda está por vir... Meio Renato Russo isso que eu disse, mas é mais ou menos por aí mesmo. É muito bacana ver a relação disso com a música. Vejo duas funções: abrir o lado emocional de quem escuta para que a letra tenha maior alcance (num primeiro momento, naturalmente se dá mais atenção à melodia do que à letra de uma música); e despertar no ouvinte a vontade de ter a felicidade expressada na música, sentindo inclusive saudade dela, o que, no caso, é até fácil, pois todo mundo teve momentos felizes alguma vez na vida... Trazendo à memória esse tipo de sentimento/recordação, a letra passa a ter uma porta de entrada mais ampla para seu significado, atingindo, quase sem defesas, o emocional de quem a escuta.

Linda. Simplesmente linda. Letra e melodia.
 
Marcelo Jeneci vai fazer um show aqui em Fortaleza no dia 10 de novembro. Uma grande amiga minha, que é fã dele, me chamou para ir a esse show e eu disse: Marcelo Jeneci? Quem é esse? Nunca ouvi falar... E falei isso com um certo ar de "nãaaaaa... programa de menina, mó paia, bla, bla, bla..." Pois é. Quebrei a cara. O F...da P... fez uma música fantástica e deve ter muitas outras mais. Só não virei fã porque só ouvi essa. Mas a Sarah falou que ia conseguir para mim o álbum do dito cujo.


Há mais o que escrever sobre essa música, mas isso foi o que me veio logo de cara. Qualquer dia falo sobre o resto... Ou não...

É isso.

Falou.

Post alterado... Mas apenas o adaptei à realidade do momento em que foi escrito.





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Little Things





You know you care about someone when little things happens... Naturally happens... 

She had to wake up early the other day and, the night before, she said: "Could you set up the clock alarm to 6 a.m.?"... And I answered: "Sure, no problem..."

The next day, I woke up 2 hours earlier than we needed and start to take little naps... I was waking up, checking the hour and sleeping again... I did this 3 or 4 times... I was not having trouble to sleep or something... I wasn´t doing that because I wanted to...  It wasn´t on purpose... My body, perhaps my entire being, did that to make sure she won´t lost whatever she had to do that day...

And she didn´t...
Yes, I care a lot about her...

That´s it.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mãe é Mãe





Minha sobrinha nasceu!! Fernanda, o nome dela. Depois faço um post mais completo sobre o assunto... ou não. Mas o fato é que já estou encantado, apaixonado e babando na cria nova. Mas vim aqui falar sobre uma cena simples, corriqueira até, mas muito bonita, que presenciei semana passada.

Minha irmã, mãe da Fernanda, está na casa da minha mãe enquanto as coisas, em geral, se acalmam. Lá, minha mãe, avó da Fernanda, ajuda muito nos cuidados com a pequena. Pega, põe para dormir, dá banho, enfim... Minha mãe é muito jeitosa com crianças e logo os bebês gostam dela, se sentindo bem com sua presença.

Com a Fernanda não é diferente. No entanto, mesmo diante de tanto carinho e cuidado da avó, nada se compara ao toque da mãe. 

Quinta ou sexta-feira passadas, Fernanda acabara de ser banhada e foi colocada no colo da minha irmã para mamar (na mamadeira com leite retirado do peito, mas isso é outra história...). No momento em que ela estava ali, deitada nos braços de sua mãe, fiquei atento a seus olhos. Ela observava minha irmã e acompanhava todos os movimentos dela, quase respondendo com o olhar ao que minha irmã, com ela, conversava.

Esses olhinhos estavam vidrados e se expressavam de forma única, diferente do que antes eu já havia presenciado com minha mãe (avó), meu pai, os tios ou mesmo com o pai dela. Era um olhar de cumplicidade, admiração e confiança próprio de quem se entrega cegamente a alguém. Lindo.

Não importa o que façamos para mostrar à nossa Bandeirinha (Fernanda Bandeira) o quanto nos importamos e gostamos dela. Não importa o tamanho do sentimento que tenhamos por ela, ou o carinho que por ela demonstramos. O resto da família inteira é apenas coadjuvante numa história que será construída fundamentalmente entre mãe e filha. E nada nunca vai superar o enlace que existe entre elas.


Como já dizia meu pai: "mãe é mãe".

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Lua e Flor





Na mesma época em que descobri a música Todo Azul do Mar, me deparei também com Lua e Flor, de Osvaldo Montenegro. Também é muito bonita, apesar de não me chamar tanta atenção quanto à primeira aqui citada.


Eu amava como amava algum cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.

Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia não amanhece, não.

Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar..

Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te contar.


 A música é legal, as metáforas são boas, mas acho ela emotivamente regular. No entanto o seguinte verso é incrível: "Eu amava como jamais poderia se soubesse como te contar". Muito bom e auto-explicativo. Como acho que interpretá-lo reduziria o seu valor poético, vou deixá-lo aqui apenas destacado.

É isso.

Falou.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Once Upon a Time...








"Era uma vez" é a tradução não literal do título deste post. E é o início da maioria dos contos de fadas na forma como eles me eram contados quando criança. Lembro que meu pai sentava no criado-mudo que ficava entre a minha cama e a de minha irmã e, ali, iniciava alguma história para nos embalar até dormir. Não lembro se elas se repetiam, mas me recordo do clichê "era uma vez"...

Era uma vez uma princesa que morava num castelo. Ela era linda e pouco conhecida, pois havia, neste mesmo castelo, um dragão que a aprisionava na mais alta torre, não deixando que ela pudesse ver o mundo ou que este pudesse apreciá-la. Certa vez, um jovem rapaz, corajoso, simples e bem intencionado, pousou seus olhos na princesa. Foi por um breve momento. Bem rápido mesmo! Mas foi o suficiente para ele se ver enlaçado num mundo de sonhos e desejos que, direta ou indiretamente ou mesmo direta e indiretamente, levavam a ela, ou a margeavam ou a tinham por objetivo... 

A princesa presa no castelo, inatingível, agora era uma luz a ser seguida... Ou talvez perseguida... Seja como for, a princesa aprisionada agora o tinha aprisionado. E dali pra frente ela seria apenas (e só para ele próprio) conhecida como Sua Princesa.

Reconhece o contexto? Pois é, esse é o corpo básico de todo conto de fadas que envolve os temas amor, paixão, busca, encontro... enfim. Eu nunca entendi esse tipo de história. Na verdade, entendo sim, mas nunca imaginei que ele possuísse um componente de realidade que lhe dá origem. Hoje enxergo claramente a realidade retratada na metáfora da "Princesa Presa no Castelo".

Rápido como um raio, a princesa tomou seus pensamentos e, mais rápido do que isso, tomou seu coração. Como aconteceu? Só Deus sabe. A vida do jovem rapaz agora foi levada para outro rumo. Novos objetivos surgiram e velhos vieram à tona. Coisas esquecidas foram lembradas e o que era problema, no novo contexto, parecia oferecer solução... 

Como alcançá-la? Como chegar à sua princesa? Ela está na torre mais alta e essa torre é protegida por um Dragão... Impossível!



Quem é esse Dragão? Ele não possui um nome... Aliás, ele não possui só um nome. Possui vários e se reveste das mais variadas formas sempre que precisa proteger a princesa de qualquer um que tente se aproximar. O dragão é toda e qualquer barreira psicológica, moral ou emocional que reside no "eu" da princesa e que a leva a sabotar para si própria a possibilidade de viver uma grande paixão ou mesmo encontrar um amor verdadeiro. Ele pode estar presente também naquele que a busca - neste conto, o jovem apaixonado - mas, como este está apaixonado, tal sentimento ocupa tanto espaço de seu ser que o "cega" para várias coisas, inclusive aquelas que poderiam ser representadas pelo dragão desta história.

E o que é essa torre? Essa torre é simplesmente a separação física entre este jovem e "sua" princesa (entre aspas porque ninguém é de ninguém). Para os apaixonados, seria bom se o corpo conseguisse percorrer distâncias, seja ela qual for, tão rápido quanto o coração. Mas o mundo físico não é igual ao mundo espiritual ou mesmo o emocional. É possível amar alguém de longe, mas não poder tocar ou confortar essa pessoa cria um empecilho quase intransponível a esse sentimento. A torre alta, a meu ver, representa a impossibilidade material de se alcançar a "princesa". Pode ser uma distância, um outro alguém ou ainda uma incapacidade interna do jovem apaixonado em aproximar-se de sua amada.
Ele quer alcançar o alto da torre de qualquer forma. Planos foram traçados e estão em execução. A escalada já começou! O resultado? Novamente, só Deus sabe. Ele pode cair da torre, ela pode não ter forças para lhe puxar quando ele lhe bater a janela. Ele pode não vencer o Dragão. Outra pessoa pode subir mais rápido. Ela pode não sentir por ele o que ele sente por ela... Enfim... Mas o jovem anseia por fitar os olhos de sua princesa novamente, nem que seja apenas uma vez mais, e não vai deixar que essas dificuldades o desanimem.

É assim que funciona para quem está apaixonado, é ou não é? Nada é uma dificuldade e tudo vale a pena. Realmente, muita coisa pode acontecer. Coisas ruins, inclusive. Engraçado que estas (as possibilidades ruins) povoam a mente quase que inteiramente. Talvez seja assim por serem estas a saída mais rápida, mais fácil. E é mais fácil mesmo: uma vez que se decide que não é possível, pode-se parar todo o esforço que antes se fazia para encontrar ou estar com aquela pessoa e tranquilamente retornar-se à zona de conforto (o que não é necessariamente uma coisa boa; a zona de conforto muitas vezes atrapalha a consecução de objetivos).

Mas, como diria uma amiga minha, nada que valha a pena vem fácil. 

Muita coisa pode acontecer mesmo e nem todas elas são ruins. Ele pode galgar o cume da torre, vencer o Dragão, tomar sua princesa em seus braços e viver ao lado dela uma vida feliz, plena e simples.

Diferente desse, ou desses, se incluirmos o que disse mais acima, ainda existem tantos outros resultados que fica difícil enumerá-los... Mas o que sei é o seguinte: o caminho só existe quando você passa, já dizia a música do Skank (no tempo em que era uma boa banda).

O que conseguir nessa caminhada, ou como resultado dela ou de seu fim, será lucro em forma de aprendizado, amadurecimento e, como tudo na vida, uma preparação para o que espera mais à frente.

E esse resultado, para ser sincero, nem é a coisa mais importante na história. Mas o que quero dizer é que, mais importante do que o objetivo almejado é o caminho que se percorre para chegar até ele.

Ops... Isso já estava dito. Sem problema.
É isso.

Falou.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Esse texto surgiu de uma brincadeira que eu e outros amigos fizemos com uma grande amiga. Quem leu gostou, então resolvi colocar aqui. Até que ficou bonitinho mesmo.

A Rosa e a Samam Baia



Rosa era uma bela flor que vivia numa floresta encantada e detinha um dos trabalhos mais importantes da flora local: ela era a Guardiã do Conhecimento. Rosa era muito cuidadosa, zelosa, e, todos os dias, fazia de tudo para que seu santuário permanecesse limpo e com uma aparência irretocável...

A Biblioteca da floresta era um lugar mágico, cheio de mistérios, para onde todas as plantas e animais convergiam quando queriam pesquisar, descobrir, inovar ou simplesmente se divertirem com os inúmeros livros guardados pela responsável Rosa.

Mas, como tudo na vida, há sempre um limite. Para que todos usufruíssem e bebessem da fonte do conhecimento, era necessário seguir certas regras delicadamente impostas por nossa Rosa. Limpeza e organização eram, talvez, as normas mais importantes... Fuja dessa regra e nossa flor mostrará que detém mais do que pétalas coloridas...

Bom, mas isso já era conhecido, não? Como sabemos, toda rosa, a despeito de ser bela e delicada, possui espinhos. E a nossa Rosa possuía esses espinhos bem afiados! Mas nem sempre eles estavam à mostra... Em outros momentos, no entanto, ficavam bem evidentes!

De tempos em tempos, os líderes da floresta percorriam seus domínios para verificar que tudo corria bem e de acordo com as leis da natureza. General Carvalho e Almirante Pinheiro eram árvores centenárias, sábios e gentis, porém austeros e muito exigentes.

Nas vésperas de sua visita à Biblioteca, Carvalho e Pinheiro comunicavam à Rosa sobre sua chegada, informando dia e hora, e isso era suficiente para que os espinhos de nossa flor aflorassem mais que suas pétalas. “Nada pode sair errado”, dizia Rosa. “Tudo tem que estar perfeito! Eu quero essa Biblioteca limpa como o orvalho que brilha na primeira luz da manhã!”

E assim seus subordinados faziam...

No entanto, havia uma plantinha muito sapeca, curiosa, um tanto quanto desleixada, mas boa de coração, que vivia ali perto. Samam Baia morava num cedro que ficava à apenas 3 ou 4 moitas de distância da Biblioteca. Ela visitava constantemente os domínios do Santuário do Conhecimento (era uma apaixonada por livros), mas sempre com muito cuidado, pois nossa Rosa possuía algumas restrições com a doce Samam Baia...“Tia Rosa não entende que eu, como uma samambaia da gema, não posso ficar calçando minhas raízes toda vez que vou na Biblioteca”.

De fato, uma samambaia só possui folha e raiz... Se cobrirmos um desses elementos, a pobre plantinha não poderá se sustentar onde quer que vá, pois não terá como se nutrir do solo ou do Sol. Como ela necessita de suas folhas para ler os livros (seus queridíssimos livros, vale dizer), precisa manter suas raízes expostas para comer e beber...

Nossa Rosa e a doce Samam Baia, como se vê, não eram melhores amigas, pois o que aquela limpava esta acabava sujando. Mas possuíam um respeito mútuo: Samam Baia era a planta mais dedicada à leitura em toda a floresta e Rosa a admirava por isso; Rosa era a guardiã daquele conhecimento e o vinha mantendo vivo, limpo e bem cuidado há muitas gerações e Samam Baia a admirava por isso.

Certo dia, no entanto, houve um pequeno conflito, mas isso fica para a continuação dessa história...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Não tem volta...






 Já há algum tempo aquilo me incomodava. Eu não imaginava como era possível, mas incomodava. Até que chegou a hora limite em que você deve tomar a decisão e colocá-la em prática. É lamentável, pois gosto muito disso que deixei de lado. Gosto mesmo. Mas o mundo muda e o prazer de outrora começava a ser soterrado por angústia, chateação e uma quase tristeza.

Nesse momento, quando já não aguentava mais, organizei uma pequena logistica para pôr em prática a nova idéia que surgia. Aliás, isso não foi só uma idéia, mas também uma necessidade. Uma vez tudo pronto, era só começar.

E comecei. Faz 2 meses e meio que vou para o trabalho de ônibus e volto a pé, correndo ou também de ônibus. Às vezes aceito uma carona.

O tempo de percurso, na ida, continua o mesmo, mas a volta para casa está bem mais rápida. Adorava e adoro dirigir, mas o trânsito de Fortaleza está muito estressante. Chegava no trabalho e em casa sempre mentalmente cansado.

Hoje, esse cansaço passou. E o prazer de dirigir voltou. E voltou mesmo! Tanto que, às vezes, invento alguma coisa para fazer no fim de semana apenas para dirigir. Especialmente aos domingos à tarde.

Como a tendência do trânsito nessa cidade é piorar, acho que não volto mais a usar o carro durante a semana. Ao menos não para ir para o trabalho. 

E é isso. Não tem volta.... Aliás, nunca diga nunca... Mas, por enquanto, não tem volta mesmo.
Falou.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ganha quem falar mais e mais alto!





Há algum tempo atrás, estava eu de bobeira no Facebook quando me deparei com uma acalourada dicussão entre dois colegas ciclistas sobre seu desempenho na bicicleta. O debate, como não poderia deixar de ser, era estúpido, curto e sem significado nenhum.

A história é a seguinte: o autor do post (o qual faz parte de uma assessoria e do passeio noturno C...) informa ao mundo virtual que está machucado (aparentemente seu estado de saúde é tão relevante que é necessário que os 300 amigos dele saibam disso). Um de seus amigos (presumo eu que seja amigo...) responde dizendo (trolling, actually): "Se aposenta..." Aí o outro lá ficou mordido com o comentário e disse que nunca faria isso do jeito que ele fez, insinuando, obviamente que o troller havia se aposentado (entenda-se parado de pedalar).

As bobagens não estavam suficientes ainda, então o agora ofendido troller responde: "Rs. Pergunta pra turma do J.... Enquanto isso vai botando um gelinho". A turma do J... é um passeio ciclístico aqui da cidade e ele quis dizer que está pedalando muito bem e, se o fulano autor do post por lá perguntasse alguma coisa sobre ele, seria isso que ele ouviria.

O autor do post se ofendeu mais ainda e disse que tinha vergonha do passeio do J..., que era indicado pra iniciantes e desafiou o troller a aparecer no passeio do C... pra ver se aguentava. O troller, agora, a meu ver, realmente irritado, vem e responde dizendo pro autor do post aparecer no passeio do J..., pra andar no pelotão da frente com eles! A intenção clara era de desafiá-lo, de provocar um embate direto.

Aí, pra finalizar com chave de merda, o autor do post responde dizendo que já conhecia o passeio do J... e que o troller deveria perguntar por lá quem tinha o treino mais puxado: C... ou J.... A intenção aqui é óbvia e não vou ficar explicando.

Deu pra pegar a idéia do que aconteceu? O autor do post se ofendeu com os comentários do troller porque eles insinuavam que ele não é um bom ciclista. O autor do post responde na mesma moeda e seus comentários insinuam que ele, o troller, é que não é tão bom ciclista. O conflito se instala e ambos tentam convencer um ao outro (ou a si mesmos) que são bons ciclistas! E tentam fazer isso através de um bate-boca! Dá pra acreditar?

No fim das contas, nenhum dos dois estava preocupado em ser um bom ciclista. Não!! De forma alguma!! Desde que eles convençam ao mundo (no grito) que são super atletas, está bom demais!! E mais, quer saber? Nenhum dos dois é bom o suficiente para se dar o trabalho de perder tempo numa discussão como essa. E se fossem, não estariam discutindo.

Vergonhoso.

Essa história é antiga, mas estava aqui pendente nas postagens e decidi colocar. Serve de lembrete negativo para aqueles que deixam certos extremos do ego sobressairem e tomarem conta de si próprios. Qual o lembrete? Não façam isso!! Pelo amor de Deus! Vão treinar que é melhor!

É isso.
Falou.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

E a fluidez finalmente apareceu...





Mais um capítulo na história de aprendizado de La Démarche. Hoje pela manhã, como de costume, sentei ao piano para praticar alguma coisa e sempre termino tocando essa música ou alguma parte dela...

Dessa vez, no entanto, me concentrei apenas na sua velocidade. Quando toco essa música num ritmo superior ao que me acostumei, próximo do original, observo três problemas: muita força nos dedos, pulso muito rigido e antebraço cansando logo.

Hoje pela manhã, no entanto, o volume do meu piano, que é digital, estava um pouco mais alto do que o normal. Quando comecei a tocar, iniciei bem suave (forçando menos o bater em cada tecla) e percebi que não precisava fazer tanta força para que o som ficasse claramente audível. No mesmo momento, me dei conta de que a flutuação das mãos sobre as teclas ficaria mais fácil se eu pudesse sempre utilizar essa suavidade e que, dessa forma, tocar essa música mais rápido seria menos cansativo.

Juntei as duas coisas e decidi tentar tocá-la na velocidade que tem que ser. Para minha surpresa, deu certo! Deu tão certo que a forma de tocar automaticamente mudou e, pela primeira vez, me ouvi tocando de forma muito parecida (muito mesmo!) ao jeito que ela é interpretada por seu autor. As acentuações que mencionei no post anterior, a própria velocidade, a sensação de fluidez que sempre senti quando ouvia a música, tudo estava lá, saindo das minhas mãos. Essa fluidez me deixou extasiado, pois, pra mim, é a característica mais relevante dessa música e, até o presente momento, sempre me senti tocando-a de forma muito seca. Não fica feio, mas não é como deveria ser...

Pequeno ponto de mutação, mas muito importante. Pequeno porque consegui em poucas oportunidades tocar  assim tão igual. Foi mais um momento de experimentação e escolhi trechos específicos da música para as tentativas. E como não estou habituado a esse "jeito" novo, ainda me confundi um pouco. Mas o que  é relevante é que cheguei no ponto em que identifiquei o que acontece na música, na prática, ou seja, o que o  Yann Tiersen fez para extrair o som que escuto.

Ainda não está igual, mas ficou bem próximo. A partir daqui, posso começar a pensar no próximo passo, que é o refinamento da música. Aliás, mais ou menos, não posso esquecer que ainda tenho que tocá-la por inteiro sem parar... e sem erros...

Bom, é isso.
Falou.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Comptine d'un autre été - La démarche




Essa música foi composta por Yann Tiersen e faz parte da trilha sonora do filme "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain" (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain). Já mencionei isso por aqui. Segue o vídeo com a primeira e segunda partes completas.



video



Aprendi a tocá-la por inteiro. A última parte, a que vem logo após o momento em que paro de tocar nesse vídeo, ainda se apresenta, no entanto, um pouco difícil de ser encaixada e por isso não fui até o final. A música, como um todo, é um pouco complexa, pois mexe, no início e no final, com as mesmas notas, apenas variando a sequência em que são tocadas e o modo como são acentuadas. Até me habituar com essas variações (que confundem um pouco), não será possível tocar a música inteira sem parar...

Para se ter uma idéia, toda vez que treino a última parte, volto forçosamente a tocar a primeira unicamente para não perder a memória muscular desta, o modus operandi de como ela deve ser tocada... É engraçado fazer isso, porque a mente sabe o que tem que fazer - tocar a primeira parte, mas as mãos teimam um pouquinho e querem tocar a última parte...

La Démarche está aos poucos deixando de ser um "impossível"... E isso é indescritivelmente bom... Muita coisa ainda tem que ser feita para que fique perfeita ou para que se aproxime mais da versão original. Em especial, três: tocá-la por inteiro, sem erros de notas ou paradas; tocá-la na velocidade certa; acentuar as notas de forma correta...

A acentuação, inclusive, é mais importante do que eu imaginava. Essa música, quando tocada (assim como qualquer outra), expressa uma intenção. Essa intenção é uma espécie de caminho através do qual seu autor leva aquele que a escuta através das emoções que ele quer passar ou que ele sentiu quando a compôs. A manifestação dessa intenção acontece no modo como a música é tocada e, como consequência óbvia, através da forma como cada nota é tocada (desde seu tempo de duração até a força com que se bate na tecla correspondente).

É isso. Muito trabalho ainda, mas está valendo a pena. "La démarche", como disse outro dia pra uma amiga, é deliciosamente difícil de se aprender. Talvez por isso seja tão fascinante... Não sei... Só sei que é divertido!

Falou.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Todo Azul do Mar







A letra romântica mais bonita que já ouvi na vida. "Descobri" essa música há mais ou menos dois meses, quando me permiti ouvi-la afastando de mim o julgamento de que ela seria brega... Fiquei surpreso. Basicamente o autor, Flávio Venturini, descreve a emoção ou as emoções de se estar apaixonado, amando etc, utilizando-se de metáforas para tal descrição. Não há lamentos, saudades ou qualquer referência à perda de alguém. É o sentimento de amor ou paixão por si só.

Achei incrível porque o tema é só esse a música inteira e ela não se torna repetitiva ou enfadonha. A melodia, inclusive, é muito bela. A letra vai aí embaixo. A comparação do arrebetamento causado por esse sentimento e pela pessoa que o desperta (e todo mundo no mundo inteiro sabe que arrebatamento é esse...) com a primeira vez em que se vê o mar é fantástica.
Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar
Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar
Daria pra pintar todo azul do céu
Dava pra encher o universo da vida que eu quis pra mim
Tudo que eu fiz foi me confessar
Escravo do seu amor, livre pra amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar
Foi assim, como ver o mar  
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar  
Daria pra beber todo azul do mar  
Foi quando mergulhei no azul do mar

Belíssima...
Demorei 2 meses para falar dessa múscia só pra ver se eu não estava apenas empolgado por descobrir uma música nova. Não é o caso.

Falou.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ou a gente se cuida, ou acabam cuidando da gente...


Eu não tenho base científica para afirmar com certeza o que vou dizer agora. É só uma impressão. Uma impresão forte, mas meramente uma impressão.

Diante de alguns fatos ocorridos nos últimos meses, me passou pela cabeça o seguinte: será que o mundo, a natureza, a vida propriamente dita (tomada aqui no sentido de coletividade universal, envolvendo todo e qualquer ser vivo) por acaso está exercendo um plano de contenção contra os seres humanos?

Parece uma teoria conspiratória muito doida, eu sei. Mas é que não pude deixar de refletir sobre isso diante do que venho presenciando ultimamente.

Minha sobrinha, Cecília, faleceu com seis meses de vida. Ela sequer nasceu um bebê viável. Fizemos de tudo para mantê-la viva, mas não foi o suficiente. A filha de uma amiga de uma amiga minha (filha da M., amiga da R.) teve febre certo dia, foi levada para o hospital e descobrem que a criança tem leucemia mieloide, que é um tipo bem escroto dessa doença. Uma amiga da minha irmã, como ela, também perdeu a primeira filha, ou filho, não lembro bem.

Todos os pais e mães envolvidos, até onde sei, são saudáveis. Considerando que tudo no mundo está conectado e que nosso planeta (quiçá o Universo) é um sistema fechado (no sentido de que nada aqui simplesmente some ou aparece, tudo se transforma em algo, o que reforça a idéia de conexão que mencionei), me pergunto se a Terra ou a Mãe Natureza sente que o ser-humano é uma espécie um tanto quanto perigosa para a saúde do todo e que ele cresce em número de forma desordenada. Me pergunto se a Mãe Natureza já percebeu que chegará um momento em que ela simplesmente não suportará a demanda e está, de alguma forma e por seus próprios meios, "cuidando" desse problema.

Reforçando essa idéia, percebe-se na sociedade hoje que a constituição de uma família não é mais uma prioridade ou um objetivo tão forte quanto outros. O ser-humano anda mais ligado em outras coisas e ter esposa e filhos deixou de ser o ápice da felicidade e realização humana.

Isso é uma mudança de mentalidade. E daí pergunto: será que foi só nossa cultura que modificou isso? Será que a mudança na própria cultura não foi desencadeada por algum processo natural que visava dar um freio na superpopulação? Mais eficiente do que matar uma cria é simplesmente não tê-la. Mais eficiente do que decidir não ter um filho é simplesmente não o querer ao ponto de sequer cogitar-se a possibilidade de se engravidar...

Um processo semelhante talvez aconteça com outras espécies, mas com o ser-humano faria mais sentido por ser a mais danosa, a que mais degrada...

Tudo isso pode ser também meramente fruto de uma fértil imaginação. Ou de uma desocupada imaginação... Rsrsrs. Ou pode ser que agora eu estou tendo contato com pessoas que tem filhos e só agora, consequentemente, estou me dando conta de que certas coisas acontecem (crianças falecendo ou nascendo com dificuldades...).

Enfim... O Universo é grande o suficiente pra caber até uma teoria doida como essa minha. Mas, nunca se sabe.... E como esse blog me serve apenas para descarregar a mente, não podia deixar de colocar isso aqui.

É isso.
Falou.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Nada é impossível mesmo...



Inclusive magoar quem você ama. Foda. Fiz uma besteira domingo passado da qual não faço a mínima idéia de quando vou me recuperar. Decepcionei uma amiga. Aliás, amiga é pouco para definir o laço afetivo entre ela e eu. A palavra mais adequada seria irmã mesmo. E tampouco sei quando ela vai se recuperar.

Tantas buscas, tantos trabalhos de autoconhecimento, tanta pesquisa em busca do "ser", tanta alegria em viver as novidades da vida que levo hoje em dia e, de repente, uma bomba atômica explode na minha cabeça e devasta tudo, deixando apenas a mesma criança assustada de outrora. A mesma criança com o sonho de não errar.

Criança burra, hein! Não errar é não ser humano. E, tendo ou não feito tal escolha, sou humano. E erro demais... Em excesso até. Muito chato esse negócio de cometer erros. Gosto dessa brincadeira não.

Confesso que lidar com esse erro tem sido uma experiência interessante. Não achei que fosse capaz de conviver com esse tipo de dor. Sempre me deixei levar por essa mesma dor e sempre acabava cometendo mais erros. Dessa vez, ao menos isso está diferente.

Mas a vida continua. A gente erra, aprende e segue em frente.

Falou.